Cápsulas e Comprimidos: O Que Ninguém Lhe Conta Sobre Absorção | GenerAcion Vita

Cápsulas e Comprimidos: O Que Ninguém Lhe Conta Sobre Absorção | GenerAcion Vita

O que os rótulos não têm espaço para lhe dizer sobre cápsulas e comprimidos

Cápsulas e Comprimidos: O Que Ninguém Lhe Conta Sobre Absorção 

Descubra porque a forma do suplemento pode estar a comprometer a sua absorção. Excipientes, competição mineral e pH gástrico, tudo explicado com fontes verificadas.

Já alguma vez se perguntou porque razão toma suplementos há meses sem sentir diferença?

A resposta raramente está na marca mas sim na forma.

A maioria dos suplementos que encontra nas prateleiras, seja na farmácia, parafarmácia ou online, apresentam-se em cápsulas ou comprimidos é o formato mais comum, mais barato de produzir e mais fácil de armazenar mas há informação importante que simplesmente não cabe num rótulo e que muda completamente a forma como deve olhar para o que está a tomar.

O problema começa antes de o suplemento chegar ao sangue

Quando engole uma cápsula ou um comprimido, o ingrediente activo não chega directamente à corrente sanguínea, primeiro tem de atravessar uma série de barreiras:

Dissolução no estômago → Absorção no intestino delgado → Transporte para a corrente sanguínea

Cada uma destas etapas é uma oportunidade para que parte do que tomou se perca, e há factores que tornam essa perda muito mais provável do que imagina.

1. Os excipientes — os ingredientes que ninguém menciona

Abra o rótulo de qualquer cápsula ou comprimido e encontrará, para além do ingrediente activo, uma lista de substâncias com nomes pouco familiares: por exemplo,  estearato de magnésio, dióxido de silício, celulose microcristalina, hipromelose.

Estes são os excipientes, substâncias adicionadas para dar forma, estabilidade e consistência ao produto, durante décadas foram considerados farmacologicamente inertes, ou seja, sem efeito no organismo.

A investigação mais recente diz o contrário.

Uma revisão sistemática publicada na ScienceDirect em 2025, analisou cerca de 180 estudos e demonstrou que determinados excipientes podem alterar a permeabilidade intestinal, modular transportadores de absorção e interferir com enzimas metabólicas e assim, afectar directamente a quantidade de ingrediente activo que chega à circulação.¹

Não significa que todos os excipientes sejam problemáticos mas significa que a formulação importa e que dois suplementos, com o mesmo ingrediente activo, podem ter biodisponibilidades muito diferentes.

2. A competição mineral — o problema que ninguém vê

Imagine que decide tomar um suplemento com multiminerais, por exemplo, cálcio, ferro, zinco, magnésio e cobre numa só cápsula...parece prático e eficiente mas... na realidade, está a criar uma competição interna no seu próprio intestino.

Estes minerais partilham os mesmos transportadores intestinais, em particular o transportador DMT1 (Divalent Metal Transporter 1) e quando estão presentes em simultâneo e em doses elevadas, competem entre si pela entrada nas células intestinais. O resultado: o comprometimento da absorção de cada um pela presença dos outros.²

Alguns exemplos documentados:

  • Cálcio e ferro — o cálcio inibe a absorção de ferro não-heme de forma dose-dependente, especialmente a doses ≥300 mg na mesma refeição³
  • Zinco e cobre — o zinco em excesso aumenta a metalotioneína intestinal, proteína com maior afinidade para o cobre, podendo causar deficiência de cobre mesmo com ingestão adequada⁴
  • Magnésio e zinco — partilham vias de absorção comuns; doses elevadas de magnésio podem inibir a absorção de zinco

A forma quelada resolve parcialmente este problema ao ligar o mineral a um aminoácido e ao utilizar transportadores de dipeptídeos, uma via alternativa menos saturada. Mas num comprimido ou cápsula com multiminerais convencional, esta vantagem raramente existe.

3. O pH gástrico — o factor silencioso

A dissolução de uma cápsula ou comprimido depende directamente do pH do estômago.

O problema é que o pH gástrico não é constante e varia conforme:

  • A hora do dia — é mais ácido de manhã em jejum
  • A idade — o pH gástrico tende a aumentar (tornar-se menos ácido) com o envelhecimento
  • A medicação — inibidores da bomba de protões (IBPs) e antiácidos elevam significativamente o pH gástrico
  • O estado de saúde — gastrite, infecção por H. pylori e outras condições afectam a acidez

Um pH gástrico elevado pode reduzir drasticamente a dissolução de formas inorgânicas de minerais e comprometer a libertação do ingrediente activo de comprimidos com revestimento entérico.⁵

Numa forma líquida ou lipossomal, esta variável é praticamente eliminada, uma vez que o ingrediente já está dissolvido ou encapsulado em vesículas lipídicas que não dependem do pH para serem absorvidas.

4. As formas inorgânicas — baratas de produzir e (por norma) menos eficazes para absorver

A grande maioria dos suplementos minerais em cápsula ou comprimido usa formas inorgânicas: óxido, carbonato, sulfato, cloreto.

Porquê? Porque são significativamente mais baratas de produzir.

Uma revisão sistemática de 14 estudos publicada na revista Nutrition em 2021 concluiu que as formas orgânicas de magnésio como o bisglicinato, citrato e glicinato, são consistentemente mais biodisponíveis do que as formas inorgânicas.⁶

O magnésio óxido, por exemplo, é uma das formas mais comuns no mercado e uma das menos absorvidas. Estudos apontam para taxas de absorção inferiores a 15% , o que significa que mais de 85% do que toma é simplesmente eliminado para fora do organismo.

O que isto significa na prática

Não estamos a dizer que todas as cápsulas e comprimidos são ineficazes. Estamos a dizer que a forma química do ingrediente activo, a presença e tipo de excipientes, e o momento e contexto em que são tomados fazem uma diferença real e documentada na quantidade que o seu organismo efectivamente utiliza.

Antes de escolher um suplemento, as perguntas certas são:

  • Qual é a forma química do ingrediente activo?
  • Tem excipientes que possam interferir com a absorção?
  • Estou a tomar minerais que competem entre si?
  • O meu pH gástrico está optimizado para esta forma?

Na GenerAcion Vita, estas são as perguntas que fazemos antes de seleccionar qualquer produto, e são as perguntas que queremos que faça também quando escolhe um suplemento alimentar.


Referências

¹ Systematic review of pharmaceutical excipients and intestinal drug absorption. ScienceDirect, 2025. sciencedirect.com

² Interaction and competition for intestinal absorption by zinc, iron, copper, and manganese. PubMed, 2024. PMC11920315

³ Hallberg L et al. Calcium: effect of different amounts on nonheme- and heme-iron absorption. Am J Clin Nutr. 1991. PubMed 1984335

⁴ Duncan A et al. Iatrogenic copper deficiency: risks with zinc prescribing. Br J Clin Pharmacol. 2023. doi:10.1111/bcp.15749

⁵ The Bioavailability of Drugs — The Current State of Knowledge. PMC, 2023. PMC10745386

⁶ Uberti F et al. Bioavailability of magnesium food supplements: A systematic review. Nutrition. 2021. ScienceDirect

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